texto

Sobre términos

15:06



          Você já parou para pensar em como não estamos preparados para o final das coisas? Sempre vai faltar algo, uma palavra, uma atitude, um olhar a mais. Recentemente um amigo me falou “as pessoas morrem, é assim que é a vida”. E eu fiquei pensando no quão comum é o término de uma situação. Seja ela uma vida ou um relacionamento. Coisas antigas precisam dar espaço a novas. Pensei também no porquê de ser tão difícil aceitar, será pelo fato de sempre querermos algo a mais? Por dificilmente estarmos completos ou por dar menos valor do que é merecido? Será que um relacionamento precisa ser eterno para que seja verdadeiro? Ou uma vida longa para que seja vivida? 
        Depois de tantas perguntas, de tantas reflexões, de tanto vazio, penso que temos o tempo certo para aproveitar cada circunstância. Por menos tempo que ela dure terá algum significado e ensinamento que nos marcará. Pode ser que seja algo que nos afetará para sempre ou somente numa ação. Cada dia que passa aprendo que não posso mudar o meu passado e menos ainda programar o meu futuro, tudo o que eu tenho é o presente. Um simples momento, uma felicidade, uma tristeza, uma esperança, um simples lapso de sentimentos e emoções. 

por aí

O dia em que fechei os olhos e confiei.

19:03



            Há alguns dias participei de um retiro e realizamos uma tarefa que a primeiro momento pensei que seria fácil de ser feita. A atividade era em dupla, um fecharia os olhos e o outro o guiaria por um jardim e falaria sobre o que estava vendo, com o que precisava ter cuidado e quais as características gerais do jardim.
            A minha dupla foi um senhor completamente desconhecido de aproximadamente 70 anos. Ao fechar os olhos eu percebi que tudo o que tinha pensado sobre a atividade estava errado, meu ego superconfiante estava mais uma vez equivocado. A primeira sensação que tive foi de insegurança e logo depois veio o desespero por não poder controlar meus passos, minha visão e meu caminho.
            Quando, de mãos dadas com a minha única fonte de segurança, percebi que não havia nada a fazer além de aproveitar o momento eu simplesmente segui de olhos fechados e confiei. E essa foi a melhor escolha que eu fiz. Ao tocar a primeira folha tive uma sensação desconhecida, como se nunca tivesse tido contato com uma. A casca de uma árvore tornou-se encanto áspero e rígido, uma flor a coisa mais delicada existente. Quando mudamos a perspectiva tudo muda junto.
            Jamais imaginaria que uma atividade tão simples me causaria tamanho desconforto e menos ainda que fosse tão difícil simplesmente confiar em outra pessoa. Mas ao sentir o cuidado, o amor e a paciência foi como se cada pontinho de tensão e preocupação se desfizesse e no seu lugar nascesse uma nova forma de liberdade e conexão. A lição que aprendi foi a de procurar o bom descontrole das situações, a entrega, a imprevisão e simplesmente deixar ser.