por aí

O dia em que fechei os olhos e confiei.

19:03



            Há alguns dias participei de um retiro e realizamos uma tarefa que a primeiro momento pensei que seria fácil de ser feita. A atividade era em dupla, um fecharia os olhos e o outro o guiaria por um jardim e falaria sobre o que estava vendo, com o que precisava ter cuidado e quais as características gerais do jardim.
            A minha dupla foi um senhor completamente desconhecido de aproximadamente 70 anos. Ao fechar os olhos eu percebi que tudo o que tinha pensado sobre a atividade estava errado, meu ego superconfiante estava mais uma vez equivocado. A primeira sensação que tive foi de insegurança e logo depois veio o desespero por não poder controlar meus passos, minha visão e meu caminho.
            Quando, de mãos dadas com a minha única fonte de segurança, percebi que não havia nada a fazer além de aproveitar o momento eu simplesmente segui de olhos fechados e confiei. E essa foi a melhor escolha que eu fiz. Ao tocar a primeira folha tive uma sensação desconhecida, como se nunca tivesse tido contato com uma. A casca de uma árvore tornou-se encanto áspero e rígido, uma flor a coisa mais delicada existente. Quando mudamos a perspectiva tudo muda junto.
            Jamais imaginaria que uma atividade tão simples me causaria tamanho desconforto e menos ainda que fosse tão difícil simplesmente confiar em outra pessoa. Mas ao sentir o cuidado, o amor e a paciência foi como se cada pontinho de tensão e preocupação se desfizesse e no seu lugar nascesse uma nova forma de liberdade e conexão. A lição que aprendi foi a de procurar o bom descontrole das situações, a entrega, a imprevisão e simplesmente deixar ser.